Saúde mental em Florianópolis é um tema que merece atenção justamente porque contrasta com a imagem que a cidade projeta. Florianópolis costuma aparecer nos rankings como uma das melhores cidades do Brasil para se viver: praias, natureza exuberante, qualidade de vida, esportes ao ar livre e um ritmo que, à primeira vista, parece mais leve do que o das grandes capitais. Para quem observa de fora, viver aqui soa quase como sinônimo de felicidade.. No entanto, a realidade emocional de quem vive aqui é complexa e envolve questões de saúde mental que merecem atenção.
Por trás do cenário bonito e do discurso de bem-estar constante, Florianópolis também apresenta índices preocupantes de depressão, ansiedade e solidão. Essa contradição chama atenção e convida à reflexão: como uma cidade associada ao lazer e à natureza pode, ao mesmo tempo, ser palco de tanto sofrimento psíquico, desafiando a saúde mental dos seus habitantes?

Fatores que impactam a saúde mental em Florianópolis
Um dos fatores que impactam diretamente a saúde mental em Florianópolis é o estilo de vida idealizado. Existe uma pressão silenciosa para estar sempre bem, ativo, produtivo e feliz. A cultura do “aproveitar a vida” pode se transformar em cobrança interna, especialmente para quem não se encaixa nesse padrão. Quando alguém se sente triste, desmotivado ou solitário em um lugar onde “todos parecem estar bem”, o sofrimento tende a ser vivido em silêncio, o que reforça a necessidade de cuidar da saúde mental.
Além disso, Florianópolis é uma cidade marcada por fortes contrastes. Ao mesmo tempo em que oferece belas paisagens, também enfrenta problemas urbanos, custo de vida elevado, dificuldades de mobilidade e desigualdade social. Muitos moradores lidam com longos deslocamentos, instabilidade financeira e pressão profissional, especialmente em áreas como tecnologia, serviços e turismo. Esse conjunto de fatores gera estresse crônico, ansiedade e sensação de esgotamento, mesmo em meio a um ambiente visualmente agradável.
Outro ponto relevante é a solidão. Florianópolis recebe pessoas de todas as regiões do Brasil, seja para estudar, trabalhar ou “recomeçar a vida”. Embora isso torne a cidade diversa e culturalmente rica, também faz com que muitos moradores estejam longe de suas redes de apoio emocional. Criar vínculos profundos leva tempo, e a ausência de laços familiares próximos pode intensificar sentimentos de isolamento, principalmente em momentos difíceis.
Estudos recentes em psicologia e saúde pública mostram que morar em locais com alta valorização da performance, do corpo e do sucesso pode aumentar a sensação de inadequação e baixa autoestima. A comparação constante, amplificada pelas redes sociais, reforça a ideia de que é preciso estar sempre feliz, saudável e realizado. Quando a vida real não acompanha esse roteiro, surgem a frustração, a ansiedade e, em alguns casos, quadros depressivos.
Falar sobre saúde mental em Florianópolis é, portanto, reconhecer que o sofrimento psíquico não depende apenas do cenário externo, mas da forma como cada pessoa se relaciona com suas emoções, expectativas e contexto social. Viver em um lugar bonito não imuniza ninguém contra dores emocionais. Pelo contrário, muitas vezes essas dores ficam ainda mais invisíveis.
Nesse cenário, a psicoterapia surge como um espaço essencial de acolhimento e reflexão. Um espaço onde não é preciso performar felicidade, onde é possível falar sobre cansaço, tristeza, solidão e dúvidas sem julgamento. Cuidar da saúde mental é compreender que bem-estar não é um estado constante, mas um processo construído com escuta, autoconhecimento e apoio adequado.
Florianópolis pode, sim, ser um lugar de qualidade de vida. Mas essa qualidade só se torna real quando inclui o cuidado com a mente, as emoções e as relações. Reconhecer as contradições da cidade é um passo importante para quebrar o silêncio, reduzir o estigma e lembrar que buscar ajuda não é sinal de fraqueza, é um ato de responsabilidade consigo mesmo.
Falar sobre saúde mental em Florianópolis é falar sobre pessoas reais, com histórias, desafios e emoções que merecem ser vistas, escutadas e cuidadas.
Se você sente que é o momento de cuidar de si e buscar apoio psicológico, agendar uma consulta com o psicólogo Rafael Furtado pode ser o primeiro passo para um acompanhamento ético, humano e baseado em evidências científicas.
Referências:
MARTINS, Camilla. Florianópolis é a terceira capital com maior índice de depressão do país. NSC Total, 19 maio 2022. Disponível em: https://www.nsctotal.com.br/noticias/florianopolis-e-a-terceira-capital-com-maior-indice-depressao-do-pais. Acesso em: 29 jan. 2026.



